Postado em 30/01/2026 por OncoGenSUS
O câncer do colo do útero é, hoje, um dos exemplos mais claros de como desigualdades em saúde custam vidas — mesmo quando existem formas eficazes de prevenção, diagnóstico e tratamento. Em 2022, mais de 660 mil mulheres foram diagnosticadas com a doença em todo o mundo, e cerca de 350 mil morreram em decorrência do câncer cervical. A maior parte desses casos ocorreu em países de baixa e média renda, onde o acesso à vacinação, ao rastreamento e ao tratamento ainda é limitado.
Os dados são contundentes: mulheres que vivem em países de baixa renda têm mais de três vezes mais chances de desenvolver câncer do colo do útero e até nove vezes mais risco de morrer pela doença quando comparadas àquelas que vivem em países de alta renda. Além do impacto humano, o câncer cervical gerou uma perda estimada de US$ 26 bilhões em produtividade global, apenas em 2022, devido a mortes prematuras — um custo social que atinge famílias, comunidades e sistemas de saúde inteiros.
A meta global da OMS até 2100
Diante desse cenário, a Organização Mundial da Saúde lançou, em 2020, a Iniciativa para a Eliminação do Câncer do Colo do Útero, com um objetivo ambicioso e histórico: eliminar a doença como problema de saúde pública até o final deste século. Para isso, os países precisam alcançar as metas conhecidas como 90-70-90 até 2030: 90% das meninas vacinadas contra o HPV até os 15 anos; 70% das mulheres rastreadas com testes de alto desempenho até os 35 e novamente até os 45 anos; e 90% das mulheres com lesões pré-cancerosas ou câncer invasivo devidamente tratadas.
A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) reforça que tecnologias acessíveis e custo-efetivas — como a ablação térmica para o tratamento de lesões pré-cancerosas — podem salvar milhares de vidas, desde que cheguem a quem mais precisa. Para isso, a capacitação de profissionais de saúde e o fortalecimento dos sistemas públicos são passos essenciais.
A mensagem da campanha é clara: o câncer do colo do útero pode ser prevenido, detectado precocemente e tratado. Eliminar essa doença não é apenas uma meta técnica ou estatística — é uma escolha coletiva por equidade, cuidado e justiça em saúde.
Fonte:
IARC / Organização Mundial da Saúde - Campanha de Conscientização 2026